Há dia assim, em que nos levantamos e levamos com o mundo em cima. Hoje é um desses dias.
Desculpem mas preciso de escrever, deitar para fora. É pessoal e como tantos outros que escrevi este não irá ficar em draft. Porquê? Porque psicologicamente aquela sensação de desabafo não existe. Se o irei apagar? Talvez. Mas por enquanto fica, preciso que fique.
Não precisam de ler, é pessoal.
Gostaria que se lembrassem que existo, que apesar de trabalhar num escritório também trabalho, que apesar de ter 32 anos não sou o simbolo da energia, saúde e vitalidade.
Gostaria que pelo menos uma vez na vida dissessem que faço algo bem, por mim, porque eu fiz por mais insignificante que seja.
Tenho com a minha mãe um relacionamento atribulado, sei que ela gosta de mim e eu gosto dela, mas desde que casei e até antes disso ela mudou.
Sempre foi uma pessoa controladora, muito por força das circunstências pois criou-me sozinha, mas faz com que me sinta em dívida e em cheque até pelo ar que respiro.
Ela teve uma gravidez complicada e ficou em coma 4 dias após o meu nascimento, tudo culpa minha, pois quase morreu para eu nascer e se assim não fosse não precisaria de ter sofrido. Sempre me desejou, mas passou muito por minha causa e tenho o dever de lhe ser agradecida até e após a morte. Parece demasiado, mas é-me dito tal qual.
Ficou sozinha comigo com 4 anos após o divórcio com o meu pai, e teve de lutar para me criar com dificuldades, ora agora eu tenho de lhe agradecer todos os dias.
Quando comecei a trabalhar e pagava os meus estudos ela ia buscar-me de carro para poder aproveitar mais uma hora de aulas. Sempre me acusou de nunca lhe pagar a gasolina, de lhe interromper o dia a meio e que tenho a mania porque tirei um curso superior e ela não. Lembro-me de me ralharem porque tenho uma letra feia que não se entende e não porque mantinha os cadernos limpos e os livros como novos.
Ela sempre fez tudo por mim mas não compreende que o facto de eu viver a minha vida, ser independente, não que dizer que a estou a abandonar.
Se não janto porque não me apetece, na semana assada aconteceu várias vezes devido ao cansaço e desanimo, é porque não quero fazer comida para ela. Jana connosco todos os dias e ao fim de semana almoça, lanch e janta.
Se lhe digo que a vida está complicada, as coisas estão caras, é porque estou com lamúrias. Se choro é porque não tenho razões, se me queixo devia saber o que é ter o trabalho dela, se não digo nada é porque sou fria e distante.
Presa por ter cão e presa por não ter.
Quer que vendamos a casa e compremos uma todos juntos. Digo-lhe que não e rebenta a guerra.
Se o Pedro se porta mal com ela é porque o ensino a ser assim com ela.
Se ela se porta bem é porque ela o ensinou assim.
É porque tenho roupa por passar, casa por arrumar, porque durmo muito, sou preguiçosa. Porque não me sei orientar, não lhe faço isto, não lhe faço aquilo.
Relevo por ser minha mãe, por saber que não tem nem nunca teve uma vida fácil, mas está a tornar-se cada vez mais complicado.
A chantegam psicológica e emocial cada vez me está a arruinar mais.
É difícil nunca ouvir dos nossos pais um "fizes-te bem" por ti e sempre só fizes-te porque eu te ensinei.
É dificil ser acusada de tudo.
É difícil ser o bode espiatório quando alguma coisa lhe corre mal ou alguém a chateia.
Se a minha mãe gosta de mim? Tenho a certeza que me ADORA.
É difícil é que demontre esse amor tranformando-me no seu saco de pancada.
É difícil vê-la atacar o meu marido quando vê que o ataque directo a mim não resulta. Culpá-lo só porque nos apaixonamos e casámos.
Estou triste e cansada, muito triste e muito cansada.
Nany